terça-feira, 23 de outubro de 2012

CRIANÇAS DA ANGOLA - Um Pião sem Corda!


Olá Mãezinhas do meu coração!

Hoje vim contar a história de uma mãe que não teve parto normal, parto humanizado ou cesárea... Porém, em 2010, Flávia Baldasso ajudou a parir 600 crianças. 

Que tipo de parto foi o dela? 

O parto feito pelo coração...
Flávia Baldasso - Angola 2010

A história da flávia começou em 2010 quando resolveu se unir a um grupo de pessoas que, como ela, sonha em poder ajudar centenas de crianças abandonadas em um país que matou mais de 500.000 pessoas em uma guerra que durou mais de 25 anos. Um país onde aquele delicioso e necessário cafuné materno, deixou de existir.

CRIANÇAS DA ANGOLA - Um pião sem corda

Escrito por Flávia Baldasso

" Desde quando eu era criança tinha um sonho de ajudar as crianças da África, sempre amei cuidar de crianças. Tive a oportunidade de colocar meus pés e ajudar a nação Africana em 2010, fui para ficar apenas um mês, mas sabia que ainda tinha muito a fazer e consegui renovar meu visto por mais um mês. São muitas as barreiras que encontramos por lá, principalmente a desigualdade social, as doenças que são muitas e a religião que muitos não conhecem o amor de Deus, o amor ao próximo e mal sabem o que significa ESPERANÇA.

O objetivo do projeto é manter uma escola que foi construída por nós e que atende mais de 600 crianças. Nesse local ensinamos muito mais que português, matemática, história, geografia... Lá eles aprendem o que é amar, doar e acreditar.

O lugar que se situa o projeto é na Província de Bié - Kuito na Angola, aldeia onde foi o local mais destruído pela guerra. A escola esta sendo construída onde era uma mina de bombas. Essa mina foi desativada e doada para uma igreja que doou o terreno para a construção dessa escola.

O trabalho dos voluntários daqui do Brasil é ajudar não apenas na construção da escola (Temos auxílio de pedreiros, mas somos nós colocamos a mão na massa mesmo e erguemos a escola), mas também em diversas atividades que ajudam no desenvolvimento das crianças durante todo ano: ensino, educação, alimentação (a maioria delas não se alimenta todos os dias, a única alimentação é dada na escola), dança, teatro, esporte, musica, coral entre outras.


Quando eu fui, montei um musical de dança e teatro que envolveu mais de 70 crianças e apresentamos no Teatro do centro da cidade (Cine Teatro). Fiz também uma gincana com 150 crianças. Essa atividade aconteceu em um final de semana e elas puderam brincar, se alimentar e todas as crianças que participaram receberam um premio.  Elas ficaram felizes demais! Todos os sábados e domingos levaram a palavra de Deus para as crianças e familiares, pois a maioria não conhece essa palavra...

Peguei febre tifóide, fiquei uma semana passando muito mal, fui picada por vários insetos que chegaram a fazer grandes feridas e no ultimo dia de estadia a Malária me dominou. Voltei muito mal para o Brasil e fiquei internada por uma semana na Unicamp por causa de uma bactéria no sangue que os médicos não sabiam o que fazer. Graças a Deus tudo deu certo e fiquei ótima para viver tudo novamente. Mesmo depois de viver tudo isso, sei que tenho muito a fazer ainda naquele lugar e não é isso que vai me impedir. Os voluntários fazem tão bem as crianças e nada nos impede de ajudar.

Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos para fazer esta obra e eles precisam de nós. Dois meses depois que voltei da Angola, fiquei em depressão, pois sabia que eles ainda estavam precisando da minha ajuda. Aos poucos fui me conformando e agora, 3 anos depois, sinto que preciso voltar, colher o que plantei em 2010 e continuar a obra que comecei.


Ter participado do projeto foi uma experiência e um aprendizado que levarei para a vida toda. Aprendi a dar mais valor a tudo. Passei também a pedir para as pessoas darem mais valor as coisas e pararem de reclamar da vida e de tudo.

Temos um lugar confortável para dormir e morar

Temos escola para nós e nossos filhos. Mesmo que a escola pública aqui no Brasil não seja das melhores, não tem comparação.
Aqui no Brasil ajudamos um ao outro, porém na Angola a maioria não sabe o que é isso, eles até desconfiam do amor e carinho que temos por eles. Um certo dia eu fui comprar uns alimentos na feira de lá, de repente chegou a mim uma menininha e me chamou de AMIGA, eu fui abraça-la e logo um homem que estava a seu lado veio puxando a menininha e falando que eu não era amiga coisa nenhuma. Ele disse “imagina que ela queira ser sua amiga.... (risos)”.

Temos alimentos com qualidade e tudo na mão. Temos no mínimo 3 refeições por dia sendo que em Angola se tiver uma refeição por dia é muito, pois passam dias sem comer. Conversava com crianças que estavam a 3 dias sem se alimentar, eu chegava a dar meu alimento a elas, eu mesmo não tinha fome alguma sabendo que todos ali ao meu redor não tem o que comer.

Eles não sabiam o que era “atividade cultural”, quando os levei ao teatro, foi emocionante ver o rostinho deles sorrindo.

Água somente quando tinha água no poço, tomávamos banho de canequinha, escovava o dente com água na canequinha, lavar roupa e louça somente na bacia, água para beber e alimento ou tem que comprar ou usar a do poço mesmo.


Algumas pessoas me perguntam o porquê ajudar um lugar tão longe se aqui no Brasil também tem pessoas que precisam de ajuda.  Também ajudo alguns projetos sociais aqui no Brasil, mas o que acontece é que não se compara a necessidade daquela nação. As autoridades e pessoas ricas daquele país não se preocupam com o próximo, se não for pessoas de fora para ajudar muitos morrem. Não há esperança alguma...só quem conhece mesmo sabe o que é o nível abaixo da miséria, sem contar as doenças, a guerra, a religião...e muitas outras coisas mais incomparáveis e inexplicáveis..."


A viagem irá acontecer no dia 11 de Janeiro de 2013. Embora a vontade de voltar seja grande, Flávia Baldasso precisa de ajuda financeira. Todas nós sabemos o que é ter uma criança nos braços e o quanto elas precisam de nós, mães. Foi com esse coração maternal que o Grupo Mães Amigas decidiu apoiar essa causa. Portanto se você puder ajudar de alguma maneira, seja ela financeira ou através da divulgação do projeto, saiba que estará conosco nesse movimento. Individualmente os nossos braços são muito curtos para abraçar o mundo, porém se dermos as mãos podemos fazer uma corrente forte e importante.   

“Nenhuma de nós é tão boa quanto todas nós juntas”

Para mais informações:

OBS: Post Copiado do Blog Mães Amigas

5 comentários:

Renata Diniz disse...

Alessandra! Deus abençoe a Flávia nessa empreitada tão maravilhosa. Deu pena ver a situação dessas crianças. O coração aperta. Beijos.

Meriene Zamprogno disse...

achei linda essa história!!! Haja coragem e dedicação *.*

Rafaela Martins disse...

Fiquei emocionada com tamanha dedicação dessa guerreira! Que deus possa iluminar seu caminho para todas as vitorias em ajudar essas crianças!! Bjoos! ^^

Camila Sabino disse...

Linda emocionante história,mostra que sim existe pessoas que ase importam com os outros.
Parabens a esta guerreira

Chris Ferreira disse...

Oi Alessandra,
Que história linda a da Flávia. Ela é uma pessoa abenççoada.
beijos
Chirs
http://www.inventandocomamamae.blogspot.com.br/